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SOLDADO QUE VAES A GUERRA

SOLDADO QUE VAES A GUERRA
Data :
05/05/2017

Poemeto de António Correia de Oliveira (1879-1960), publicado em 1918 pela Portugália Editora e na Ilustração Portuguesa


SOLDADO QUE VAES A GUERRA 

Filho meu, do coração,
Da minha alma, que é mais vida:
E a da Mãe é tão comprida,
Que n'ela os filhos estão,
Antes que seja nascida!

Foi o que entendi, segundo
Os livros Santos, em seus
Misterios de amor profundo:
– Inda a Mãe não era mundo,
E já seu Filho era Deus!

Quiz-te escrever, pois que devo
Esta alegria á Lembrança;
E as cartas são como o trevo: 
Tantas mais folhas escrevo,
Tanta mais ventura e esp'rança.

Novas? Não sei... Velharias
De saudades, sim! – São elas
Antigas como as estrelas,
Nascendo, todos os dias,
Môças e lindas... É vêl-as!

Foste sempre o «meu menino»,
Mesmo depois de homem feito;
Cresceste em tão doce geito, 
Que nunca perdi o tino
De que andavas ao meu peito!

Levou-te a Guerra... E inda mal

A minha rasão alcança,
Como, sendo tão criança,
Has de amparar Portugal
E dar ajudas á França!

Mas a tua alma diz tanto
De Fôrça heroica e Bondade,
Que penso, Filho, em verdade,
Que nasceste para santo
Cavaleiro de outra idade!



in Ilustração Portuguesa, nº. 640, 27 de maio, 1918, p. 413

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