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Pela Pátria

Pela Pátria
Data :
08/11/2017

​Poema de Esmeralda de Santiago (1882-1930) publicado na Ilustração Portuguesa de 16 de novembro de 1914.


Eu abomino a guerra, esse fantasma hediondo

Que os povos avassala e cidades destróe!...

Com tiros de canhão de pavoroso estrondo,

Que traspassam o peito a um bravo, a um heroe,

Ela semeia, infame, o luto, a dôr: – O Mal!...

– Herculea, estupenda,

E p'ra sempre bemdita a Paz Universal!...

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Mas, ai de mim! eu bem sei, ideal chimera,

És tu apenas, sim!... sublime, altiva e austera!...

Emquanto houver no mundo a velha Humanidade,

Cheia de interesse vil, a Paz e a Liberdade

Serão um sonho só!... sublime, transcendente,

Mas mentiroso e vão!...

– És sagrada utopia, oh! Paz, infelizmente!...

Tem de se defender toda e qualquer nação

E, pequenina embora, armada até aos dentes,

pôde encarar altiva os povos mais potentes!...

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Ouve, pois, Portugal, a minha voz escuta!

Vaes, por dever, entrar na luta ingente e bruta

Que se trava tremenda entre nações gigantes.

É preciso mostrar teu valor como d'antes!...

Confia no soldado heroico portuguez.

Um dos melhores do mundo, o mais bravo talvez!

Sabe ele bem manter esse velho prestígio,

Que tu ganhar soubeste em atos de prodígio!...

E vós, minhas irmãs, Mulheres da minha terra,

A quem infunde horror tão desumana guerra,

Mostrae-vos corajosas,

Sensatas, valorosas!...


E, ao vêr partir um filho, um irmão, um marido,

– O ente mais amado, o noivo mais querido,

Não choreis, mulher, não!

Abraçae, apertae de encontro ao coração

O valente soldado, e dizei-lhe a sorrir:

–Coragem, meu Amôrr

Tem fé, tu has-de vir!!


Não fraquejes jamais!... não te domine a dôr!

É a Patria que chama, é a voz do Dever!

Ide todos, – vencei!... e, se um de vós morrer,

Vingae a sua morte, atacando o inimigo

E afrontando o perigo

Com mais valor ainda!


Por morrer um só bravo, a Patria não se finda!

–Coragem sempre! adeus!

Em nossas orações

Pediremos a Deus

Nos traga os corações

Que hoje nos levaes!...

Sois homens valorosos,

Valentes e briosos,

Adeus! Que dizer mais?!...»

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E mais não direis vós, pois muito tereis dito

N'um hino d'amôr sacrossanto e bemdito!...

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Soldados! honrae pois a vossa terra amada,

A Patria abençoada!

É preciso partir e longe batalhar?

É vencer e voltar!

E crêde: combatendo ao lado dos francezes,

Apenas defendeis, valentes portuguezes,

Na luta colossal,

A nossa Patria antiga – o nobre Portugal!



in Ilustração Portuguesa, nº. 456 (16 de novembro de 1914)


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