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quarta-feira, 21-02-2018
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Livrarias no século XXI, na Internet e online

Livrarias no século XXI, na Internet e online
                  

Nesta página reunimos os sítios que nos fornecem dados sobre as livrarias portuguesas em actividade e referimos alguns dos principais desafios que se colocam a este sector do mercado do livro, a saber:

As livrarias portuguesas presentemente em actividade (grandes livrarias, livrarias especializadas, livrarias independentes, livrarias-papelarias...) encontram-se referenciadas na base de dados denominada LIVRARIAS, da responsabilidade da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas e em permanente actualização.

Um pouco por toda a parte, o futuro das livrarias independentes, como a maioria dos adultos as conheceu, parece ter de passar pela respectiva modernização, pela formação profissional dos livreiros, por uma eventual associação que lhes permita oferecer serviços colectivos e pela reivindicação de um estatuto cultural específico e insubstituível na nossa vida quotidiana. Neste sentido, sugerimos a consulta de Librerías L, a organização espanhola de livrarias independentes, bem como o Guia das livrarias da Europada autoria de dois jovens Sonja da Sérvia e Ivan da Eslováquia, amantes de livros e viagens, que com esta iniciativa pretendem promover e divulgar as livrarias europeias, sistematizadas por cidade.

A grande problemática das livrarias do século XXI, independentemente do tipo e da eventual adesão à Internet, parece ser a do controle dos pontos de venda de livros ao consumidor, seja em grandes superfícies, seja em livrarias independentes ou em cadeias de livrarias ligadas ou não a grandes grupos editoriais como refere, entre muitos outros,este artigo do diário espanhol El país.

Em Portugal, a Wook da Porto Editora constitui um exemplo de esforço de controle de pontos de venda por parte de um grupo editorial, através do desenvolvimento de uma livraria online de que a Amazon é o paradigma, considerada como o é já a maior livraria do mundo. Outro exemplo de uma livraria portuguesa online, Armazém L é o sítio do Armazém de Cultura Ldª.

Segundo o especialista espanhol José António Millán, num post intitulado «Google Libros se extiende» no seu sítio da Internet, estas novas livrarias muito devem ao facto de o Google Book Search se ter fundido, em 2008, com sítios de livrarias um pouco por todo o mundo, dado que para além de os vender, faculta aos leitores diversos serviços como  recensões, biografias, excertos, etc. Tal é o caso, entre outros, de grandes livrarias como a americana Books-A-Million, a inglesa The Book Depository a indiana A1Books, a holandesa Van Stockum, a brasileira Livraria Cultura  e a columbiana Librería Norma, a primeira a fazê-lo em língua espanhola. Também oferecem este recurso, editoras como a O’Reilly, a Macmillan e a Stanford University Press, entre outras.

A enorme expansão do mercado de venda de livros online, para além do aparecimento de sítios comerciais, deu por seu turno origem ao aparecimento de sítios de solidariedade leitora que facultam a possibilidade de aquisição de livros mais baratos ou mesmo quase gratuitos:

A AllBookstores, por exemplo, afirma providenciar uma das mais completas listagens de sítios que fornecem livros na Web, das mais conhecidas como a Amazon ou a Barnes & Noble, a outras menos conhecidas como a Powell's Books. O objectivo de Allbookstores é o de apresentar os melhores preços do mercado, já que permite a comparação entre 30 livrarias online, para além de oferecer um serviço de pesquisa gratuito, o free locating service.

Em Portugal, a Bibliofeira é um sítio para compra e venda de livros novos e usados, desenvolvido pela empresa portuguesa LongCut (Porto) que, para além da criação de websites, também aposta na criação sítios, como este, considerado de interesse público.

A relação leitores e grandes livrarias online no mercado de distribuição de livros a baixos custos é patente em We compare books, um sítio de estudantes para estudantes, que oferece gratuitamente uma pesquisa em cerca de12 livrarias partners online de modo a obter o melhor preço de capa de um livro de estudo. Alegando permitir poupar  até 80% na maioria dos livros, o sítio afirma doar 10% do respectivo lucro anual acausas humanitárias. O respectivo blogue, How to save money on books, disponibiliza informação complementar fornecendo recensões críticas, sumários e sinopses de livros necessários ao estudo.

Mas, passar da possibilidade de compra e venda mais baratas de livros novos ou usados a uma efectiva troca gratuita de livros, revela o progressivo contributo dos leitores e da sociedade civil para a alteração deste segmento do mercado. Com efeito, um sítio como Paper back swap, que oferece este tipo de troca de livros, pode em parte explicar-se pela expansão do mercado de livros usados, tanto mais que evidencia já alguma tendência para a comercialização como se depreende da análise feita por Sean Flannagan no seu sítio Deeplinking. Em Portugal, o sítio Winkingbooks da Companhia Portuguesa de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico, S.A promove uma comunidade para a troca de livros (com base num sistema de pontuação que se pretende justo), fomenta também a partilha da crítica por parte dos leitores e apoia a edição de autor. Também o sítio brasileiro Livralivro oferece este serviço, sob o lema «Troque seus livros pela Internet»: a utilidade para os leitores é evidente e a viabilização económica do negócio é garantida através da publicidade. Livralivro promove ainda a doação de livros a organizações sem fins lucrativos

Já a Better World Books é uma livraria online diferente, dado que o seu objectivo é o de que cada um dos seus livros contribua para o aumento da literacia e constitua uma promessa de vida melhor. Deste modo, para além de procurar oferecer o melhor preço, a melhor selecção e o melhor serviço de apoio ao cliente, a Better World Books recolhe livros usados ou já não desejados. Desde 2002 até hoje, a Better World Books reconverteu assim mais de milhões de livros (que representam também milhares de toneladas de livros cujo destino seria as lixeiras americanas) em milhões e meio de dólares que investiu em programas de literacia e educação em todo o mundo e ainda doou cerca de um milhão de livros aos referidos programas. Os números relativos ao impacto social, ambiental e económico do trabalho desenvolvido por esta organização são extraordinários. Compreende-se assim que a Better World Books se tenha recentemente unido ao conhecido sítio de leitores Bookcrossing de modo a consolidar a missão que defendem em comum:

  • encontrar uma nova vida para antigas leituras,
  • reconhecer que reciclar livros entre leitores assegura diferentes objectivos para todos e cada um dos livro doados, oferecidos, obtidos e procurados
  • afirmar que não utilizar ou deitar fora um bom livro constitui um imenso desperdício, tanto para leitores futuros como para o nosso planeta.

O papel cada vez mais activo dos leitores na indústria do livro é pois determinante na concepção e desenvolvimento de um sítio como Bookmooch, sedeado em Berkeley, Califórnia. Ao propor «Uma vida nova para os seus livros», este sítio organiza uma comunidade que deseja trocar livros, permindo-lhe efectivamente oferecer e receber livros de graça (com excepção dos custos dos portes de correio). Fundado em 2006, o Bookmooch compromete-se a manter-se fiel ao amor pelos livros e a contribuir para algumas causas sociais como, entre outras, a oferta de livros para as prisões. Um noticiário dos principais questões que se colocam à organização é sistematizada no respectivo blogue pelo seu principal responsável, John Buckman.

Muito embora o mundo do livro antigo se afirme como um lugar único e à parte, como o reivindica o sítio espanhol Bibliofilia, o universo dos livreiros antiquários e alfarrabistas encontra-se globalmente representado no sítio Abebooks, o qual, segundo os especialistas, transformou do modo radical este tipo de comércio do livro. Sob o lema: «ajudar as pessoas a encontrar e a comprar todo e qualquer tipo de livro, seja em que livraria for e seja em que sítio do mundo for», a AbeBooks é um catálogo de catálogos onde é inclusivamente oferecida uma página individual a cada livraria que a queira manter.

Sediada no Canadá e com filiais nos EUA e na Alemanha, esta empresa gere sete sítios na Internet, especificamente dirigidos aos mercados do Canadá, do Reino Unido, da Alemanha, da França, da Itália, da Espanha e da Austrália e Nova Zelândia. Com mais de 110 milhões de livros disponíveis e 13 500 livrarias representadas (em 2008), AbeBooks oferece todo o tipo de livros: usados, raros, esgotados, bestsellers, de colecção, de estudo… sendo considerada a maior livraria online do género. Não admira pois que, com 13 anos de experiência na venda de livros através da Internet, 3 milhões de pesquisas, 30 mil livros vendidos por ano e 1 milhão de pedidos em lista de espera, a Abebooks tenha sido adquirida em 2008 pela Amazon. Neste sítio, onde alfarrabistas de todo o mundo divulgam, desde 1996, os seus fundos, parte dos quais era até então considerada rara, estão representados cerca de uma dezena de alfarrabistas portugueses.

Em Portugal, os alfarrabistas e livreiros antiquários iniciaram já a respectiva divulgação em sítios online, mas, na sua maioria, encontram-se isolados e dispersos na Internet, como se pode verificar nas páginas do sítio Bibliomanias que disponibiliza também informação sobre catálogos, bibliografias, eventos, leilões. A melhor relação dos alfarrabistas e livreiros antiquários portugueses com presença na Internet (aliada a informação sistematizada sobre esta área de negócio) está reunida no excelente blogue da livraria alfarrabista 1870 livros. Por seu turno, Adelino Correia Pires desenvolve a sua actividade de livreiro alfarrabista exclusivamente online no sítio e no blogue com o mesmo nome D'outro tempo.