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segunda-feira, 25-09-2017
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Biografia

Biografia
                  

Rui Knopfli  
[Inhambane/Moçambique, 1932 - Lisboa, 1997]  

Poeta.

Natural de Inhambane, viveu em Moçambique até 1975. A família transferiu-se em 1934 para Lourenço Marques, onde fez estudos secundários que prolongou em Joanesburgo, na África do Sul. Foi delegado de propaganda médica (1958-74) e, ao mesmo tempo, uma das figuras mais destacadas da vida cultural daquela antiga colónia.

Não tinha ainda dezassete anos quando começou a colaborar no Itinerário, mensário de oposição ao regime. Sobre o livro de estreia, O País dos Outros (1959), António Ramos Rosa escreveu, na Seara Nova, que «a sua voz destaca no concerto da poesia dos últimos anos, pela agressividade corrosiva, pela maneira directa com que fixa a realidade social e os seus próprios sentimentos, pelo sarcasmo com que a vitupera, pela rudeza viril.»

Colaborou activamente na imprensa desafecta à administração colonial, casos de A Tribuna – jornal de que viria a ser um polémico director, entre Maio de 1974 e Fevereiro de 1975 – e A Voz de Moçambique. Nos anos sessenta e setenta, respectivamente, co-dirigiu, com Eugénio Lisboa, os suplementos literários destes dois jornais. Lançou, com João Pedro Grabato Dias, os cadernos de poesia Caliban (1971-72), que reuniram colaboradores como Jorge de Sena, Herberto Helder, António Ramos Rosa, Fernando Assis Pacheco, José Craveirinha, Sebastião Alba, etc. Dirigiu o caderno «Letras & Artes» (1972-75), da revista Tempo, ali tendo publicado traduções de inúmeros poetas, como, entre outros, T. S. Eliot, Blake, Sylvia Plath, Kavafis, Dylan Thomas, Yeats, Robert Lowell, Pound, René Char, Apollinaire, Octavio Paz e Reverdy.

Integrado, como adido de imprensa, na delegação portuguesa à Assembleia-Geral das Nações Unidas, participa em Nova Iorque (1974) dos trabalhos da Comissão de Descolonização. A forma como dirigiu A Tribuna, ao arrepio das orientações marxistas do alto-comissário português e do governo de transição, e, do mesmo passo, contrariando as teses da minoria secessionista branca (responsável pelo «pronunciamento» racista de 7 de Setembro de 1974), fizeram de Rui Knopfli um homem a abater. Demite-se do jornal, por objecções de natureza ética, e deixa Moçambique em Março de 1975. Voltará ao país de origem uma única vez, em Outubro de 1989.

Faz parte de uma geração de moçambicanos expatriados, que inclui os poetas Alberto de Lacerda, Helder Macedo e Virgílio de Lemos, o cineasta Ruy Guerra, os filósofos Fernando Gil e José Gil, o arquitecto Pancho Miranda Guedes, o fotógrafo Pepe Diniz, a pintora Bertina Lopes e o ensaísta Eugénio Lisboa. A publicação de Memória Consentida (1982) permite revelar ao público português a estatura do poeta. Numa boa síntese, Luís de Sousa Rebelo faz notar que «a sua poesia não é fácil de arrumar dentro [de] critérios escolásticos» e que é «uma poesia dramática, de alusão maliciosa e de ritmos subtis, sinuosa e sedutora na sondagem dos fundões da psique, e deve ser lida sem prevenções de leituras anteriores, na omnímoda e indisfarçada complexidade do seu texto.» Em 1984 recebeu o prémio de poesia do PEN Clube.

Em Portugal tem colaboração dispersa no JL e nas revistas Colóquio-Letras e Ler. Encontra-se representado em algumas antologias, designadamente em Contemporary Portuguese Poetry (Manchester, 1978) e no The Penguin Book of Southern African Verse (Londres, 1989).

Radicado em Londres desde Julho de 1975, exerceu, durante vinte e dois anos consecutivos, o cargo de conselheiro de imprensa (1975-97) junto da Embaixada de Portugal na capital britânica. Em Bruxelas foi publicado Le Pays des Autres (1995), volume que colige os três primeiros livros. Poeta bipátrida, da sua obra pode-se dizer, com palavras suas: «Tenho só este exíguo e perplexo pecúlio/ de palavras à beira do silêncio. »
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. VI, Lisboa, 1999