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quarta-feira, 22-11-2017
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Biografia

Biografia
                  

António Correia de Oliveira  
[São Pedro do Sul, 1879 - Belinho, Esposende, 1960]  

António Corrêa d' Oliveira
Foi, sem dúvida, um dos poetas mais conhecidos da sua geração. Frequentou o Seminário de Viseu, mas interrompeu muito cedo os estudos – o que levaria, mais tarde, Maria Amália Vaz de Carvalho a considerar esse estado de «inocência do espírito» como uma das suas qualidades mais positivas. Tendo feito uma breve passagem pelo jornalismo no Diário Ilustrado, ingressou no funcionalismo público. A partir do 1912, data do seu casamento com uma senhora da aristocracia minhota, passou a viver na Quinta de Belinho, situada na freguesia das Antas, nas proximidades de Esposende.

Publicou o primeiro livro aos 16 anos, encontrando-se desde essa obra definida a sua arte poética: uma simplicidade na trova ao gosto popular, um pendor narrativo que aproxima mais a sua lírica de certo romantismo epigonal que da genuína tradição portuguesa, os temas de exaltação patriótica, que o transformaram, a partir de certa altura, no poeta «oficial» do regime político vigente – conceito, aliás, injustamente redutor.

Poeta de estro fácil, nele se conjugam o realismo junqueiriano, o idealismo cristão, o panteísmo tocado de saudosismo, à Pascoaes, do qual o separava a intuição filosófica: importa, todavia, não esquecer que a sua vastíssima bibliografia inclui também obras de longo fôlego e alta inspiração, como, em verso branco, as Tentações de Sam Frei Gil, 1907.

José Régio reconheceu nele «um cantor cheio de frescura e encanto, nas suas quadras e quintilhas em que a arte de Sá de Miranda se alia ao capricho da inspiração popular», e Jacinto do Prado Coelho diz, quanto ao lírico religioso, que, dos portugueses, «nenhum terá vivido com mais altura os mistérios do Génesis e da Redenção».

António Correia de Oliveira foi um dos companheiros de Raul Brandão, que a ele várias vezes se refere, com ternura, nas Memórias.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. III, Lisboa, 1994