23 Abril 2004
Imagine um lugar onde os livros abrem portas que dão para outros livros e onde todos os corredores levam a salas em que nenhum livro é proibido, escondido ou negado. Imagine que pode caminhar por esses corredores cheios de estantes, escolher e folhear os seus livros, tomar notas, sentar-se ou continuar a caminhar, indo de um labirinto a outro, perdendo-se no meio de estantes de onde pode retirar os livros que sempre quis ler, além daqueles que precisa deler. Imagine que todos os autores que gosta de ler estão lá, nesse lugar, na companhia de muitos outros que ainda não conhece e também de outros que não o conhecem a si. Imagine que, no intervalo de uma leitura, tem um jardim perto, ou uma varanda – e que até aí pode continuar a ler o seu livro, aquele que escolheu.
Imagine que, nesse lugar, pode ler – além dos livros – jornais, revistas, consultar a Internet, ouvir música, ver um filme, perder-se com outros leitores igualmente perdidos. Imagine que, nesse lugar, o alfabeto não começa em A nem termina em Z, e que todas as combinações são possíveis. Esse lugar existe. Numa Biblioteca Pública Municipal perto de si. Perto do coração.