Leitores e leituras

Leitores e leituras 
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Cada um que lê reúne-se a uma imensidade pensante, em repouso, quem lê está em estado de levitação, pertence a uma imagem pairante. Filomena Molder

Se é certo que pertencemos a uma das culturas do livro e da leitura (como o blogue O silêncio dos livros tão bem ilustra), falar em livros e em leituras obriga-nos hoje a falar em redes sociais de leitores, cuja força a Internet fez disparar vertiginosamente nos últimos anos. Neste sentido, o Bookcrossing talvez seja a mais conhecida destas primeiras redes de leituras partilhadas contando, em 2008, com mais de 750 000 leitores em mais de 130 países.

Já um sítio como Shelfaria, (ou Goodreads ou LibraryThing), criado expressamente por e para amantes de livros e totalmente assente na dimensão virtual, oferece a cada um dos seus utilizadores a possibilidade de ir construindo uma «prateleira» de livros, de os discutir com outros leitores e de os recomendar a outros. A crescente importância financeira desta nova sociabilidade de leitores online explica por que foi a Shelfaria comprada pela Amazon um ano e meio após a respectiva criação.. 

Já a Book blogs representa ainda outra destas novas associações de grandes leitores de edição corrente: os seus  membros não apenas lêem livros e os divulgam (e não apenas em blogues), como também os escrevem. Para se ter uma ideia da dimensão destas redes, veja-se o blogue Bibliolatry: to read is divine e os respectivos favoritos, os favoritos dos favoritos e assim por diante.

De natureza diferente é We Read, a empresa criada por Krishna Motukuri e Harish Abbott, que em 2007 deixaram a Amazon para criar a Weread em Bangalore, na Índia, e de então para cá (2010) reuniram mais de 1 500 000 de utilizadores registados e recensearam mais de 40 milhões de livros. Fundada em 2006 como iRead, este sítio permite aos seus leitores, através de uma série de aplicações em rede, enviar e receber recensões bibliográficas. Num mundo em que agora todos podem publicar, o valor de WeRead para a sua comunidade em acelerado crescimento (1.9 milhões em 2008) é o de uma fonte independente e fiável de avaliação crítica de uma obra. Para ter uma ideia da importância deste projecto, propomos a leitura do artigo de Anirvan Ghosh publicado no The economic times.

Para além de todas estas grandes comunidades de leitores, existem também inúmeros projectos individuais cuja dimensão está por reconhecer e de aqui apenas damos um breve apontamento, através da proposta de consulta de sítios como Campaign for the american reader (CftAR) da autoria de Marshal Zeringue, um escritor e produtor americano,  uma iniciativa independente que visa encorajar mais leitores a ler mais. Ou o Reader’ s Projectda autoria da especialista italiana em informática Glória Rossi, que tem como objectivo oferecer uma galeria virtual de fotografias de momentos de leitura, de livros e de estantes, de leituras mais ou menos comuns, que nos revelem quem somos enquanto leitores. Ler por aí, o sítio português de Margarida Branco, propõe livros para ler em lugares onde ir.

Assim, é já hoje consensual que o século XXI viu surgir novas práticas de leitura largamente partilhada. Beyond the book project dá-nos conta da importância deste novo fenómeno literário de leitura de massas. Como e por que razões surgem e se desenvolvem estas novas comunidades de leitores e a actual função popular da ficção literária constituem os objectos deste estudo transnacional, elaborado para os Estados Unidos da América, Reino Unido e Canadá. Em Portugal, o sítio Segredo dos livros de Fátima Rodrigues, dedicado à ficção editada no nosso nosso país, conta já com o apoio de inúmeros leitores e de algumas editoras.

Para conhecer o papel destas novas comunidades de leitores no mercado de aquisição de livros novos e usados, consulte o item solidariedade leitora que descrevemos no tópico Livrarias

Por último mas não em último, chamamos a atenção para extraordinária base de dados RED - The reading experience database que, em 2008, reunia já informação sobre cerca de 30 000 registos de experiências de leitura de texto impressos, documentadas entre 1450-1945, no Reino Unido. 

 
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